quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Mudança de Kléber

Por Leandro Lainetti

Violento. Desleal. Criador de caso. Encrenqueiro. Estes e outros adjetivos nada cordiais serviam para qualificar Kléber, um dos melhores atacantes do Brasil. Após uma temporada no Palmeiras recheada de cartões amarelos e vermelhos, confusões em campo, Kléber trocou a correria de São Paulo pela tranquilidade de Minas Gerais. Quando todos achavam que haveria uma mudança na atitude dele, veio a decepção. Começou o ano atraindo os holofotes com muitos gols e expulsões. Foram 3 cartões vermelhos em poucos jogos. 2 pela Libertadores e um pelo Campeonato Mineiro.
A diretoria multou o atleta, mas o diferencial foi o treinador. Adílson Batista chamou Kléber para conversar e conseguiu o que muitos treinadores tentaram sem sucesso: acalmaram o quente temperamento do jogador. Kléber passou a jogar mais e brigar menos. Passou a se preocupar em continuar fazendo gols e evitando cartões. Quando os zagueiros batiam, em vez de revidar, ele ria, reclamava com o juiz. Quando era provocado, em vez de entrar na provacação, começou a deixar para lá. Simplesmente se transformou. Claro que ainda tomou alguns cartões amarelos, mas nada que derrubasse a sua nova fase.
Na última sexta, Kléber se casou, o que pode ajudar ainda mais nesta sua nova fase, neste seu novo jeito de ser. No jogo contra o Corinthians, no último domingo, ocorreram dois lances fortes envolvendo o jogador e, em ambos, o que sei viu foi uma cena pouco comum há alguns meses atrás. Em vez de emanar em fúria contra tudo e todos, Kléber calmamente pediu desculpas aos companheiros de profissão envolvidos no lance. É um prazer ver um atacante com a categoria e o talento de Kléber mais vezes em campo do que fora dele. Ainda bem que ele entendeu isso. Sorte a dele, do Cruzeiro e principalmente, do futebol brasileiro.

Só para registar: na vitória de hoje, contra o Santo André, fora de casa, Kléber fez mais um gol e, mais uma vez, passou em branco nos cartões.

Obrigado, Adílson. Obrigado, Kléber. Continue assim.

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